Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Alice no País das Maravilhas

Tim Burton está filmando Alice no País das Maravilhas!!!!

Passa-se 10 anos depois, Alice já virou mocinha e esqueceu que caiu num buraco de coelho quando era menina. E vai ter o Johnny Deep no papel da Madonn- digo, no papel do Chapeleiro Maluco! Helena Bonham-Carter como a Rainha de Copas! Stephen Fry de Gato Risonho! O Matt Lucas ("computer says no...") de Little Britain como os gêmeos-enxaqueca Tweedledee e Tweedledum! E a zoiuda Anne Hathaway como a rainha branca! O Alan Rickman (Professor Snape) como a Lagarta fumadora de narquilé! E a técnica vai ser a mesma do Lenda de Beowulf, aquela coisa linda de captura de movimentos reais e digitalização!

(desculpem os pontos de exclamação, but, YES, I'm excited!)


Terça-feira, 23 de Junho de 2009

As Velhinhas de Bardolino

(a igreja é esta no fim da rua, ao fundo)

Pode-se imaginar fazer muita coisa numa manhã de sexta-feira, mas sete velhinhas de Bardolino (Itália) resolveram ir rezar o terço. Fico a imaginar as razões que as levaram ao templo, o medo da morte próxima, um filho que está desempregado, uma doença, uma graça alcançada, um neto que se droga, uma neta lésbica, duas netas que não se falam, uma nora que não cuida direito do filho, mas não seria maldade imaginar o hábito de rezar, alguém as ensinou assim, elas acreditaram, levaram a vida a crer, não seria agora, no ocaso de suas vidas que iriam mudar, rezavam por hábito de rezar, a fé o exige, simples assim.

Eram dez horas da manhã; das sete, quatro mantinham os cabelos brancos, uma os havia pintado de negro, já outras duas de castanho claro, e não vi as suas faces, já que estavam sentadas nos bancos mais à frente e eu permaneci próxima à porta. Ouvia-se perfeitamente, entretanto, a oração ecoar pela igreja, cadenciada, quase um canto, um bálsamo. Os turistas seguíamos em hordas, passeando pela cidade, andando de bicicleta, comprando, lotando os restaurantes, as ruas e igrejas, tomando sorvete, e as velhinhas lá, em outro mundo, alheias a tudo, mergulhadas em suas rezas, estranho mundo.

Por via de todas as dúvidas, quem não as tiver que atire a primeira pedra, já que de assuntos religiosos estamos a falar, eu disse para deus ou para os deuses, e para a virgem, já que era uma reza de terço, como já informamos, Vejam que eu estou aqui, pelo sim pelo não, se houver excesso de reza, uma sobra, uma ave-maria perdida e não endereçada diretamente a ninguém, uma rezada displicentemente por uma das velhinhas, pode ser a de cabelo negro, vi ali alguma vaidade, não importa, que ela sobre para mim, e que guarde a minha alma para sempre, amém.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

As Colunas de Agrigento




São vários templos, da época dos gregos na Sicília, o mais preservado e o Tempio della Concórdia (imagem acima), que data do século V a.C. e que está lá até hoje, doce ironia, graças ao fato de ter sido transformado em igreja cristã no século VI d.C.

Ao lado daquelas colunas, fiquei pensando na complexa organização religiosa, composta por sacerdotes, sacerdotisas, por dezenas de deuses e deusas, crenças diversas, estórias da criação, tudo absolutamente interrompido, perseguido, transformado em nada, visto como ridículo, imagino a perplexidade das populações, eis que outros deuses, no caso apenas e tão-somente um, este o verdadeiro, chegara para trazer a luz, a verdade e a vida.

Quanto tempo levará para que tudo isso, o nosso sistema religioso, essas crenças presentes tidas como verdades absolutas, quanto tempo levará até que cheguem outros deuses, ora, ora, estes outros, novos em folha, ainda mais verdadeiros que os atuais. Não sei, mas chegará, é só uma questão de tempo, algum tempo.

Quem vê a novela das oito, Mulhera vê, já disse que adoro, está familiarizado com Ganesha, o deus com cabeça de elefante, presente em várias cenas e sempre evocado pelos fiéis hindus. Desculpem minha franqueza, e não quero ofender ninguém, já aqui foi dito e repisado que Mulhera respeita todo mundo, todas as religiões, mas não há como não ver um certo ridículo em tudo, ante a improvável existência de tal deus. Constato que as religiões se superam na fantasia, nas proibições, nos julgamentos, em tudo.

Não me julguem intolerante; os nossos, refiro-me aos deuses, são tão ridículos quanto, apenas estamos mais acostumados a eles, crescemos com eles, mas eles também morrerão um dia, e todos os outros, e outros mais. Mas não nos inquietemos, haverá outros, e novas colunas em Agrigento, e em muitos lugares mais, serão erguidas em homenagem a eles.

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Páscoa

Como sabem, Mulhera não acredita em nada, perdeu a fé, mas tem inveja de quem tem, uma invejinha boa, que dizem que há. E hoje é a ressurreição, a páscoa dos cristãos.
Nesta páscoa vieram aqui uns amigos, eles são ótimos, o papo estava bom, a comida, disseram eles, também estava boa, a tarde passou e foi tudo muito bom; se eu tivesse fé, pediria a deus para proteger a todos nós, dar saúde, um pouco de dinheiro para viver bem, e amigos, muitos amigos, daqueles bons, como os que estiveram aqui hoje, para sempre.
Seria tão bom se houvesse deus, ah, isso seria.

Sábado, 11 de Abril de 2009

Série: Pessoas Adoráveis

Dr. Drauzio Varella

Muito além de ser médico, é um humanista; escreveu livros que fizeram sucesso, mas para mim, o mais importante é "Por um Fio", que relata experiências de pessoas com doenças terminais, a maioria com câncer. Os relatos são cuidadosos, desprovidos de qualquer preconceito, carregados de ternura e humanidade; como vamos todos morrer, é uma aula de como não sermos arrogantes, cruéis, desumanos. Mulhera recomenda. Não bastasse, sua coluna na Folha de São Paulo é um bálsamo contra a mediocridade: está sempre ao lado do bem, da ciência, da medicina, contra o preconceito, é sempre um prazer ler. Neste sábado ele se superou, escreveu sobre os travestis, disse que são os mais discriminados entre os discriminados, defendeu políticas públicas para eles, discorreu sobre como se formam, o silicone industrial que usam, sem condenar, sem julgar, eles existem e pronto, é um sábio na verdadeira acepção da palavra, e uma das pessoas mais legais hoje no Brasil.

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Série: Pessoas Péssimas

Arnaldo Jabor

É o campeão absoluto em dizer besteiras, acha-se o mais iluminado dos colunistas, mas é só um idiota. Não passa de um porta-voz dos anos FHC e não se envergonha disso. Não escreve uma linha que se aproveite, é um amontoado de pseudos-pensamentos políticos contaminados pelo preconceito, má-fé e bobajada. Se espremer, não sai nada, façam o teste, se é que vão conseguir chegar à última linha, coitado, coitado, tenho pena; antes era lido e até comentado, hoje não passa de uma piada. Mulhera considera essa criatura a mais ridícula e sem-noção jamais vista. É o porta-voz da classe média que tem medo de a Esquerda tomar o apartamento em que moram na zona sul carioca. Patético.

Denis Lerrer Rosenfield

É o articulista mor da Direita. Tudo quanto há para se comentar e é preciso contar com alguém da Direita, lá está o sujeito a escrever, é como uma praga do Egito, uma peste, uma escrotidão a nos espreitar, a vomitar o ódio que a Direita tem de tudo quanto é vagamente ideia de Esquerda. É o conservadorismo encarnado em pessoa, diz-se filósofo, diz-se professor na UFRGS, mas acho que passa todo o tempo escrevendo mesmo para os jornais, que devem lhe pagar muito bem para estampar a visão dos conservadores no mundo. É uma lástima, um homem se prestar a esse serviço. E se ele pensa mesmo tudo aquilo que escreve, não tem salvação, se há Deus, vai castigá-lo, ou então não há Justiça.

(PS.: Mulhera nunca foi imparcial, e está cada vez pior)

Amores Russos

Saiu o novo livro do Bernardo Carvalho, chama-se "O Filho da Mãe". Comprei ontem e já li. É uma pequena jóia da literatura nacional, Mulhera recomenda fortemente.

Simplesmente leiam, e fiquem tão apaixonados por Andrei e Ruslan tanto quanto eu. E mais não digo, livro não está assim tão caro.

Terça-feira, 24 de Março de 2009

Mãe é Mãe

Mulhera estava arrasada, péssima, sentindo-se uó, enfim, aquela semana que parecia acabar nunca, decepção e mais decepção, vida dura.

Apesar de não acreditar em nada, liguei para a minha mãe, que acredita, e pedi umas orações, umas forças, umas energias boas, pois bem sei que há mães e mães, mas a minha me adora, não tenho, e nunca tive, qualquer dúvida sobre isso, e ela fez, falo das orações, tenho certeza.

Pois hoje acordei mais leve, achando que a vida é boa, que não vale a pena se estressar tanto, que tudo vai passar, tudo óbvio, mas eu sei que a minha mãe é a responsável, ela e seu amor por mim.

O amor verdadeiro de uma mãe pode quase tudo.

 
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