quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Playboy

Geisy não tardará a posar para a playboy.

Tem todo o direito, além de ganhar uns trocados da universidade troglodita que a expulsou, sim, já sei que voltaram atrás, sou super a favor que ganhe mais uns caraminguás, mostrando o corpinho na revista.

E já estou vendo a hipocrisia de volta: aqueles que agora a defendem ardorosamente vão dizer que era o que faltava, que ela está se aproveitando, vai chover moralismo. Ué, mostrar na universidade pode e na revista não?

Geisy, se te convidarem, aceite; não dê bola para ninguém e fature os seus trocados, a periquita é sua e de mais ninguém, faça dela o que achar melhor.

Eu não comprarei a revista, claro está, mas te apoiarei incondicionalmente. Meu apoio é tanto que te darei de graça uma diquinha, faça um regimezinho antes, pelas fotos, e você está em todas, nota-se que você está um pouco gordinha. Nada grave, mas está sim.

(Mulhera não quer criar caso com ninguém, exceto com os carolas e direitistas, então vou explicar: não acho absolutamente que ser gorda ou gordinha seja um problema, mas é que nunca vi nas páginas, melhor dizer capas, da playboy nenhuma gordinha, então vamos ser práticas, é disso que se trata, fui clara)

Nada que umas folhas de alface e litros de chá verde por uns dias não resolva. Boa sorte.

Palco

"Subo neste palco, minha alma cheira a talco..."

"E caio!", poderia dizer caetano, coitado, caiu mais uma vez, sim, de novo, está lá, no youtube.

Juro, mas juro por deus, e todos os santos, incluindo Santo Antônio, de quem sou devota, que não tenho nadinha com isso.


Mulhera é sensível e não é vingativa, fiquei só no nojinho mesmo. E acredite quem quiser.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sampa II

Tenho pena dos fumantes, pois já fui e sei como é horrível. É horrível tanto fumar, que fique claro, como não poder fumar, mil proibições, o câncer, o horror, a patrulha, tudo, tudo, os fumantes viraram párias, e eu tenho pena.
Aprendi com o Professor Dráuzio que o vício da nicotina é o pior entre todas as drogas, prestem atenção, to-das as outras drogas. É dificil se livrar da maldição e algumas pessoas realmente não conseguem, por mais que tentem. E milhares tentam e fracassam.
Por que tudo isso? Simples, São Paulo está cheia, infestada de cartazetes, em todos os lugares, absolutamente todos, chega a ser uma poluição visual tal o exagero, o mapa estilizado do estado ao fundo, vermelho, a proibição to-tal de fumar.
Coitados dos fumantes, é ótimo ir ao Ritz e não sair de lá fedendo, mas que tenho uma peninha, isso eu tenho, Mulhera é sensível.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sampa

Duas ou três coisas sobre São Paulo, não sei vocês, mas eu simplesmente adoro.

Se o país realmente crescer 5% ao ano daqui para a frente, vai ser preciso construir urgente outro Congonhas, está superlotado, a reforma mal acabou e fiquei 15 minutos na fila do táxi. Uma estação de metrô seria a perfeição.

Para os jornais paulistas não existe prefeitura; é incrível, parece que não há mais, não há notícias sobre a cidade em si, só havia quando a Marta era a prefeita, vocês entenderam. Ah, essa mídia...

Os restaurantes de SP continuam ótimos, mas os preços estão nas nuvens e tenho a impressão que como melhor na minha casa, quando eu mesma cozinho, claro. Pretensão, dirão alguns, não me importa, adoro meu fogão, minhas panelas e minha comida. E sou de uma modéstia só.

Vi um filme ótimo, chamado Carmo, estava na Mostra de Cinema de SP. Incrível como o público de festival é igual em todos os cantos do mundo, incrível. É a história de um contrabandista paraplégico e uma moça sem futuro na fronteira do Brasil com o Paraguai. Assistam.

Assisti ao extraordinário show do Chitãozinho & Xororó na Sala São Paulo com a Orquestra Bachiana Filarmônica, regida pelo maestro João Carlos Martins. Se me permitem o trocadilho, foi um chororô do começo ao fim, lindo, extraordinário, maravilhoso; eu, que não creio em nada, chorei quando Xororó cantou a ave maria de Gounod. Já deve estar no youtube.

Podem ficar com inveja, pois ter um amigo como J.P. na cidade de SP é um bálsamo, uma alegria; e não me venham dizer que a frase está desgastada, não está, ele é um príncipe!

Por fim, tive a desagradável surpresa de encontrar o caetano num restaurante; a minha vontade era ir lá e chamá-lo de imbecil. Nada fiz, sou educada, fiz só cara de nojinho, a mim bastou.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

caetano

Deu no Estadão de hoje, fala caetano veloso:

"Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla. É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro".

Coitado do caetano, tenho pena, já foi tão inteligente.

(a grafia em letra minúscula não é erro, é cópia descarada de Saramago, que Mulhera tem o orgulho de tentar imitar)

Contardo Calligaris

Não percam a coluna de hoje do Professor Contardo; poucas vezes li algo tão extraordinariamente demolidor sobre a condição e a boçalidade humanas. Chama-se "A Turba da Uniban" e foi publicada na FSP, caderno Ilustrada, pág. E 15.

sábado, 31 de outubro de 2009

Saci

Sinceramente, eu não agüento essa mídia brasileira, penso que devo ler jornais por obrigação intelectual e cultural, mas a coisa está passando dos limites.

Acalmem-se os meus três ou quatro leitores direitistas, desta vez não falarei sobre a parcialidade vergonhosa com que ela, falo da mídia, trata o governo Lula; deixarei isso para os historiadores.

Desta vez falarei sobre mais prosaico assunto: a festa de Halloween ou Dia das Bruxas, comemorada hoje, e que o Brasil, pouco a pouco, está importando dos EUA. Como sabemos todos, o Brasil importou e importa dos EUA uma variedade enorme de coisas e costumes, a avassaladora invasão da música, do cinema hollywoodiano, as idéias econômicas, que tanto mal causaram ao país, os tênis nike, as roupas CK e DKNY, os jeans, o que seríamos sem eles, meu deus, os computadores Dell, o iPod, o iPhone, este último eu ainda vou comprar, pois Lúcio Lasca o Léxico mostrou como ele pode ser útil, em suma, uma enormidade, e toda uma ideologia neles instalada, claro está. Curiosamente, nada disso causa temor e estranhamento à nossa mídia.

Mas agora, vejam só, ela deu para implicar com o Halloween. Inventou o Dia do Saci, da Cuca, e as colunas estão recheadas de notas desancando a festa americana. Súbito, foram tomados de amores pelo Saci, e pelo espírito, ainda vivente, do Ariano Suassuna, que tem horror a tudo que vem de fora, ele vive de linho, uma graça.

Se querem saber, jamais vou me fantasiar de bruxa, jamais enfeitarei a minha casa com abóboras e velas, jamais sairei pedindo balas na vizinhança, mas não vejo problema algum em a festa por aqui deitar raízes, quem quiser comemorar as bruxas que o faça em paz, o mundo é uma bola.

Coisa mais ridícula, só porque é moda, forçar uma data que ninguém sabe o que é, ninguém jamais comemorou, o Saci é bonitinho, a Cuca não, é muito feia, mas convenhamos, exclusivamente para se contrapor à outra, não dá, eu não tenho paciência.
Bruxas, creio eu, há em toda a parte, neve não; quisessem mesmo atacar o ridículo de importar certos costumes, bem que poderiam começar agora, quando toneladas de algodão serão usadas neste país tropical para simular, no natal, uma neve inexistente.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Armário

Leio horrorizada na revista Júnior que os homossexuais da terceira idade voltam para o armário para se livrarem do preconceito.

E decidi escrever sobre isso, dar o meu humilde palpite, a minha pitada de experiência, expressar minha indignação com tudo isso.

O "armário" é sempre uma tragédia, o enrustimento um mal que deve ser combatido sem tréguas, as bichas mais velhas, entre as quais me incluo, devemos a todo instante incentivar os mais novos a assumirem a homossexualidade como parte da vida, assim como o sol vai nascer amanhã, mesmo que uns não queiram, nascerá. Mesmo que uns, ou muitos, pouco se me importa, insistam em discriminar, rir-se, atacar, ofender, matar, o que eu sou não vai mudar, não voltarei para o armário, fodam-se, vão ter que me aturar.

De vez em quando ouço, Para você é fácil, você conseguiu, as pessoas te respeitam, ora, fácil é o caralho, nunca é fácil, tive que me impor, tive que se me dar ao respeito e exigir respeito, tive que ser áspera, tive que dizer palavras suaves, tive que quebrar a ignorância, tive que explicar pacientemente o que é ser ativo e passivo, tive que ter coragem de ser o que sou, tive que ignorar a burrice, tive que ter orgulho de mim mesma, tive que ir à Paradas Gays, tive que amar um homem para saber que é a melhor coisa do mundo, e nada, nem ninguém, tem o direito de dizer se devo ou não amar o meu homem. Meu no bom sentido, se é que há outro, vivemos tempos horrorosa e politicamente corretos, e eu tenho pavor.

Mas já se me distraio, nunca, em tempo algum menti sobre a minha orientação sexual, não cometi a abominação de falsear telefonemas no trabalho como se fossem de mulheres, sempre eram de homens gays, jamais tive vergonha de apresentar a quem quer que seja os meus amigos gays, não cometi o horror de ter duas camas em casa para demonstrar para a empregada que o meu homem, olha o 'meu' aí de novo, dormia no outro quarto, jamais disse que estava namorando mulheres, respeitar a minha verdade era e é bom, as pessoas heterossexuais ou não, percebem, e respeitam. E ai daquele que não respeitar, eu não deixo.

Curiosamente, na mesma reportagem, havia um único senhor de idade, o único que aceitou ser entrevistado, que se dizia, "extremamente assumido, aceito e feliz", óbvio que sim, fico a imaginar a bicha lá no asilo, linda e maravilhosa, dando pinta e sendo ela mesma. Quem vai se atrever a importuná-la?

Milhares de vozes hão de se levantar a favor do armário; pouco se me importa, para mim, e cada vez mais, fica a certeza que a sociedade em geral e os indivíduos que a compõem vão continuar discriminando, até que encontrem um viado muito macho para encará-los de frente, com muita viadagem.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Vento


O vento da Patagônia é célebre. Corre, ou venta, como queiram, creio eu, há milhões de anos, muito antes de pessoas escreverem sobre ele. E muitos e muitas já escreveram. Mas como já disseram vários autores e autoras, uma coisa é ouvir falar, outra muitíssimo diferente é ver.

Eu vi o vento, quer dizer, ver propriamente não, já que ninguém vê o vento, apenas vê as suas conseqüências, e eu vi com meus próprios olhos, e tive medo. Esse ventinho que por aqui corre, às vezes fazendo os mais pavorosos estragos, é uma aragem fresca perto do que eu vi por lá. Aquele não brinca em serviço, sopra com fúria, sem chuvas, sem trovões, sem raios, sem granizo, sem nada, tão-somente o vento, forte e ruidoso, o vento patagônico.


Tive medo, eis que o ranger das paredes de madeira e a água do Lago Pehoé se levantando em ondas e redemoinhos brancos de água vaporizada (a foto daí de cima mostra o fenômeno), pareciam demonstrar que em breve tudo se ia levantar. Sairíamos voando junto com o vento, sabe-se deus para onde, meu sangue a manchar de vermelho as águas da Patagônia, tragédia, manchetes, a imaginação humana não falha.


Nada aconteceu, porém; além do medo, que me deixou insone, tudo o mais permaneceu estável, onde sempre esteve, nada voou, ninguém morreu, nada estragou, nada, na manhã seguinte, o lago era uma lagoa, sereno e já limpo, as Torres Del Paine no lugar de sempre, por mais força que tenha o vento, nem ele consegue mover uma montanha, isso é tarefa para outros.


Tive medo, mas agora, depois de passado, falamos do medo, posso dizer sem qualquer medo (quanto medo, meu deus) de parecer piegas, o vento patagônico, como toda a Patagônia em si, são lindos.

Tempo

Como não quero desagradar aos meus três ou quatro leitores carolas, este blog dará um tempo nas críticas às religiões em geral.
Quem quiser crer, creia.

Viva Saramago!

Como era de se esperar, a igreja católica saiu à luta para defender sua doutrina, diante do novo liro de Saramago, Caim. Até aí nenhuma surpresa, eles sempre mordem a isca, precisam se justificar, contra-atacar, é da natureza deles, já disse aqui, ai daqueles que não crêem...
O que a mim tem causado uma certa euforia, digo euforia mesmo, pois é a palavra de um Nobel, repercutida em várias partes do mundo, é a reação de Saramago em si, claro que ele sempre revida, sempre tem uma palavra aos seus detratores, mas desta vez sua postura tem sido furiosa, diz que se cansou de ser um ateu "tranquilo", vejamos:
"As insolências reacionárias da igreja católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de deus na Terra, os quais, na verdade, só tem interesse no poder"
É uma frase definitiva, lapidar; o papa, os cardeais, os bispos e os padres todos deveriam parar de perpetrar atos hediondos e criminosos, a exemplo, a proibição do uso da camisinha, a discriminação odiosa das mulheres, a insistência em ofender cotidianamente os homossexuais, a patética condenação aos divorciados, terão que prestar contas ao deus em que crêem, que os mandará ao fogo do inferno, amém.

 
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